30 de jan de 2011

Mudanças

às janeiro 30, 2011
     
  Parte I | 

     -Decidir levantar da cama mais cedo do que o costume para dar uma volta na praia, acordei antes de todos, e sai sem que ninguém me visse. Do lado de fora o ar estava muito gostoso, uma brisa fresca acercava-se de meu rosto. De vestido longo e chapéu na mão, sai do pelos portões do fundo do hotel já que este dava de frente para o mar. Aventurei- me a dar uma boa caminhada. Desde alguns dias atrás estava querendo ficar só e pensar na vida.
     Já na areia, pus-me a pensar nas palavras que vinha ouvindo nas ultimas semanas, ora eram palavras de conforto " Não se preocupe você vai conseguir a promoção", outras de desconforto " Será que você vai consegui, você foi tão indecisa no assunto", entre outras palavras. O que pegava eram as palavras que vinham de pessoas próximas a mim: Meus amigos pra ser mais clara ou pelo menos os que eu considero tais, e não eram palavras vindas em relação ao meu trabalho e sim, a minha vida pessoal. Amava os meus amigos disso eu não podia negar, mas ultimamente eles estavam se intrometendo demasiadamente, eram palpites extrapolados e exigentes mudanças desnecessárias. Como, semana passada mesmo, quando houve vários contratempos com cada um deles. E caminhando ali pela areia comecei a pensar em cada atitude deles.

     Tamia era minha amiga mais chegada, seu jeitinho quieto de agir era sempre difícil demonstrar o quão decidida ela realmente era, não tinha realmente muito o que reclamar dela, em tudo sempre me apoiava e por mais que eu fosse errada, o conselho dela sempre era bom de ser ouvido. Sempre que rolava algo de bom, viagens, brindes, cursos, ela era sempre a primeira pessoa que eu pensava e chamava. Íamos a todos os lugares juntas e partilhávamos de nossos segredos, muitas até vezes parecidos. Algo que me irritava nela, nossos gênios ruins as vezes não se batiam, e eu sempre cedia ao dela, mesmo minha ideia sendo a melhor. E na semana que decidi pedir a opinião dela e talvez até companhia para irmos em uma viagem á Paris, ela se não se dispôs e acabou que não aceitando ir comigo, exagerando na fala: "essa sua ideia de viajar nesse momento da vida e logo á Paris é uma insanidade". Chateada pus fim em nossa conversa e não toquei mais no assunto.
     Tinha Ramon. Que era meu amigo, desde algum tempo nos falávamos, mas mantemos uma amizade de proximidade havia dois anos. Ramon era um cara bem dedicado, super bacana, sempre de bem com a vida, sempre de sorriso no rosto, nunca reclamava de nada, tinha sua própria empresa e batalhava muito para manter um nome dela exemplavel diante da sociedade. Gostava de passear com ele, ir a shopping, cinema, teatro, enfim, estávamos sempre juntos a passear: Eu, Tamia, Ramon e por vezes Eva. Algo que eu não gostava em Ramon, sua curiosidade era de extremo, nada passava despercebido diante de sua pessoa e que mais tarde ele não viesse comentar. E me irritava muito as atitudes dele, pois era o maior palpiteiro de minha vida. E acabava que eu concordava com os palpites irritantes dele. Até mesmo quando ele soube dos meus planos para a viagem, colocou mil e um motivos para eu não ir, disse 'que eu era a pessoa mais indecisa da terra, que eu colocasse meus planos em primeiro lugar e esquecesse tais tolices adolescentes minha.'
     Eva, foi minha vizinha por alguns anos, mantínhamos a nossa amizade desde o colegial, mas nunca fomos tão chegada, só depois da faculdade que nos aproximamos mais. Eva era uma garota bem dedicada, disposta e gostava de apoiar as pessoas, tinha a mania de gabar-se de que seu sorriso refletia a felicidade pra todos, mas era a mais pura verdade, compartilhava com Eva de alguns momentos de minha vida, ora bons, ora não tanto, eu sempre contava com seu jeito feliz, abraços e carinhos, mas sempre algo de ruim que acontecia comigo, eu sempre corria para o colo de Tamia. Gostava muito de Eva, porém o que me irritava nela era que nunca poderíamos dizer a verdade na cara dela, pois ela se enfunava de raiva, ou chorava de tanta sensibilidade, nunca aprendeu a ser uma garota grande, pois seu jeito de não querer se magoar ou ter medo de fazer as coisas era maior do que ela e confesso que por vezes me sentia pisando em ovos quando era pra se conversar com ela. Uma ótima garota, mais eu sempre media as palavras dirigidas a ela, sempre quis dizer certas coisas pra ajudar no amadurecimento dela, talvez ela se comportasse assim por ser a mais nova, ou por ter sido mimada demais. O que acontecia era que eu nunca consegui ter um 'papo tão sério' com ela. Da viagem ela não disse nada, quando contei o motivo do qual eu iria, ela veio me falar da vida sentimental dela, no momento quem precisava falar da própria vida era... A minha pessoa.

     Depois de certo tempo caminhando pela praia sentei um pouco na areia, fiquei pensando se era eu a errada da história ou seriam realmente eles? Tinha uma razão bem específica de querer ir até Paris. Eu realmente tinha.
Mesmo o dia estando já claro, o Sol ainda teimava a se esconder em seu confortável lar, aos poucos iam surgindo seus adoráveis raios dourados.
     Deitei na areia, o único som era o mar, e então de repente aquela musica me veio à cabeça:

'Eu andei por uma terra desabitada. Eu conhecia o caminho como a palma da minha mão.
Eu senti a terra sob meus pés. Eu sentei ao lado do rio e ele me completou.
Coisa simples para onde você foi? Eu estou ficando velho e preciso de algo em que confiar.
Então me fala quando você vai me deixar entrar. Eu estou ficando cansado e preciso de algum lugar para começar.
Eu encontrei por acaso uma árvore caída. Eu senti seus ramos olhando para mim. Esse é o lugar que nós costumávamos amar? Esse é o lugar com o qual eu tenho sonhado... '
                                (Somewhere Only We Know - Keane)


 Patrícia Brito                                          

2 comentários:

Renata Fagundes on 1/31/2011 04:02:00 AM disse...

Seja bem vinda ao Cítrico Patrícia!

Obrigada pelo carinho e pelo presente :)


beijos cintilantes

Lilly M. on 1/31/2011 10:14:00 AM disse...

Textoo lindo,lindo,lindo,
vou seguir sua história.
[aaa], e se ningém quiser e contigo, pode me chamar que eu terei o maior prazer de ir contigo até Paris'
*_*



Indiquei selinho pra você| selinho digno, diga-se de passagem.
http://meninaapenas.blogspot.com/2011/01/selinho_31.html

Beijo meu,
Lilly M.

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