25 de fev de 2011

O meu amigo ' Oculto' parte IV

VOLTEI !


Passei a tarde toda trancada em meu quarto. Ouvia uma canção que passava na rádio local, e que sem muito precisar tocava a minha alma:


 Picture perfect memories, Scattered all around the floor
Reaching for the phone 'cause, I can't fight it anymore. And I wonder if I ever cross your mind.
For me it happens all the time. It's a quarter after one, I'm all alone and I need you now Said I wouldn't call
but I lost all control and I need you now And I don't know how I can do without,
I just need you now.  ♪♫

Percebi o quanto eu era, de fato, tola. Queria me livrar de todo sofrimento, de tudo aquilo que me agarrava e me prendia dentro daquele quarto. Não faltava muito, aquilo tudo não era difícil de resolver, bastava apenas um consentimento. Bastava apenas eu e ele. Percebi também que durante os últimos anos não tinha mudado tanto quanto disseram por ai, eu continuava a mesma garota tola, a mesma menina ' metida a brava' do meu bairro. Eu sempre tive vontade de fazer as pessoas sentirem medo de mim, e fazia, ou, quando não gostavam de mim de uma forma, fazia sentir respeito forçado de outra. Perdi tanta coisa durante aqueles últimos anos, e poxa como eu sofria com tudo aquilo. Sofria em silêncio. Sempre. Perdi amizades, amores... Perdi toda vontade de lutar por algo, ou o algo não queria mais que eu me aproximasse dele. Talvez essa fosse a hora de melhorar e mudar aquela pessoa ruim que eu me sentia por dentro.
Eu já tinha me acostumado com aquilo que eu era, no inicio travei uma luta comigo mesma, do meio por fim cedi as minhas más vontades. E fiquei naquilo durante os últimos anos: Uma garota sem graça, metida a brava, que é constante, e não aprendeu a crescer.
Estava disposta a mudar, e seria um pouco antes das seis da tarde, antes da leitura de toda tarde. E aquela então seria especial...

Decidi pegar meu carro, na verdade era sempre meu pai quem o dirigia, depois de um trauma que eu tive, quando bati em muro vindo de uma festa bêbada!!! Mais eu mudara, não bebia mais e isso foi a três anos atrás. Dirigi até ao centro da cidade, fui até um salão próximo a igrejinha. Sempre pensei porque as mulheres depois de uma situação trágica mudavam o cabelo para depois mudarem o caráter???, sempre achei aquilo um tanto enfadonho. Depois de um breve estudo sobre  a Psicologia da mulher, entendi que aquilo não era verdade  naquela tarde. Mudei sim, não muito, não totalmente por enquanto, mais mudei. Precisava de algo pra me encorajar, e uma mudança seria legal. Depois de sair do salão me senti bem, tinha mudado a cor do meu cabelo voltando para o tom natural que sempre fora, e decidi também abandonar as químicas que antes fazia nele. Fiz compras, comprei tudo aquilo que eu sempre quis ser: romântica, sonhadora ' porque eu não era', decidir ser quem eu era por dentro, tirar do baú guardado no sótão cheio com correntes e dez cadeado envoltos, cheio de poeira e algumas traças que tomavam conta de mim. Quando por fim abri o baú, quem eu era pulou pra fora com muita felicidade, me abraçou e não perguntou porque eu a tranquei ali por tanto tempo, enquanto quem eu sou cruzava os braços e fazia uma cara feia de raiva se queixando que eu estava sendo uma má agradecida por tudo que ela me fez, ( Irônico não???Como ela percebeu que eu sou isso tudo???)  e que ela me ensinou realmente a viver, eu sabia que aquilo não era verdade, então dei minhas mãos a quem eu era que gentilmente agarrou-me, e pedi com delicadeza a quem eu sou para que entrasse no baú, relutante e indecisa quem eu sou decidiu entrar no baú, então trancamos-a lá dentro com todas as correntes e cadeados que podíamos, fiz tudo o mais depressa possível, e quem eu era tomou conta de mim, naquele momento senti que tudo realmente tinha mudado, não por causa da mudança de visual, mas sim porque eu me permitir voltar a ser quem eu era, a ser a pessoa que todos aprenderam a gostar de verdade, então com uma força insuperável peguei o báu e levei até a margem um lago, onde antes quando eu era quem realmente eu não era, fitava aquele lago com desprezo, olhava os casais e me repugnava de tudo, e o joguei, vi-o afundando em suas límpidas águas, aquela pessoa não voltaria a tomar mais conta de mim...


Confiante, eu estava! E fiquei mais ainda indo ansiosa para o coffe Hall, foi ai que tudo começou, quando meu telefone tocou. Era minha mãe.
- Alô, mãe?
- Filha... - Sua voz estava estranha.
- O que houve mãe?? Está tudo bem???
- Sim, tudo... Preciso que venha para o hospital.
- O q...?? - respirava fundo. - O que houve com o papai??
- Não com seu pai filha. Nada grave, mais preciso que venha com uma certa urgência.
- Com quem então?
- Foi o Cadú, filha...

Cadú...

O Meu amigo Oculto.


Memórias perfeitas, Espalhadas por todo o chão, Alcançando o telefone porque, Eu não consigo lutar mais
E eu me pergunto se eu já passei pela sua mente, Para mim isso acontece o tempo todo

São 1:15, Estou completamente só e preciso de você agora, Disse que eu não ligaria, Mas perdi todo o controle e preciso de você agora
E não sei como sobreviver, Só preciso de você agora. ♪♫









 Por ThiciaB.

(Uma História ficticia, qualquer semelhança é mera coincidência)


                                                          Continua...

Um comentário:

  1. Amei,
    cada vez melhor
    se eu fosse acentuar aqui as partes que mais gostei, eu teria que citar otexto na integra.
    Muito, muito lindo.
    [aaa]Obg* pelos votos de felicidades'
    Beijos meus.
    AMO-TE
    Vou te amar até morrer ♪

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