28 de abr de 2011

dizeroAmor// SemanaAmor/Relacionamento 'texto3

às abril 28, 2011
touchinlady:

Anonymous: O que tinha de tão em especial?
Kretek: Nem eu sei o que ela tinha de tão especial. Eu sou tipo, todo sem vergonha, e ela super tímida. Ela era o tipo de garota que você olha e pensa “wow, ela é boa demais pra você, nem tenta.” Acho que eu gostava dela antes mesmo de conversar realmente com ela, mas desde sempre eu soube que era areia demais pro meu caminhão, por isso nunca tentei. E, uau, quando a gente namorava, ficávamos sem se a semana toda, e a parecia que eu ia morrer de tanto esperar chegar o dia dela poder ficar comigo… Aí vinha o fim de semana e passava rápido pra caralho, e depois eu percebi que era porque eu gostava demais de falar com ela, e que o tempo passa dez vezes mais rápido quando você está com quem você ama. Antes dela ser minha namorada, ela era minha melhor amiga. Ficávamos falando horas sobre uns assuntos tão nada a ver, sobre meu medo de tubarão, sobre ter uma casa na praia e um cachorro chamado brinquedo. Brigávamos regularmente, é verdade, mas alguém sempre voltava atrás. Dessa vez ninguém tá voltando atrás. E eu tenho medo disso. Terminamos definitivamente uns dois meses depois de começarmos a namorar, mas eu nunca senti que eu e ela tínhamos… Acabado. Pelo menos não de verdade. Tipo, sempre que me perguntam dela, eu digo que superei, mesmo sabendo que é mentira… Mas a verdade é que, por mais que eu não consiga esquecer, eu não quero esquecer. Eu quero acordar amanhã e lembrar de tudo. Não mudaria um só dia de tudo que eu vivi com ela… E faria tudo de novo, se eu tivesse a chance, cometeria todos os mesmos erros, porque tudo que eu fiz só me levou a estar com ela, e isso é o que realmente importa, se todo o resto já não faz sentido. Eu vou lembrar pra sempre de todos os momentos que eu passei com ela, e todos que eu não passei também, por ser um orgulhoso… Eu só queria que ela soubesse disso. I miss you, B.

Se você ama, diga que ama. Não tem essa de não precisar dizer porque o outro já sabe. Se sabe, maravilha, mas esse é um conhecimento que nunca está concluído. Pede inúmeras e ternas atualizações. Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente no universo. Pra todo mundo. Não perdemos quando damos: ganhamos junto. Quanto mais a gente faz o amor circular, mas amor a gente tem. Não é lorota. Basta sentir nas interações do dia-a-dia, esse nosso caderno de exercícios. Se você ama, diga que ama. A gente pode sentir que é amado, mas sempre gosta de ouvir e ouvir e ouvir. É música de qualidade. Tão melodiosa, que muitas vezes, mesmo sem conseguir externar, sentimos uma vontade imensa de pedir: diz de novo? Dizer não dói, não arranca pedaço, requer poucas palavras e pode caber no intervalo entre uma inspiração e outra, sem brecha para se encontrar esconderijo na justificativa de falta de tempo. Sim, dizer, em alguns casos, pode exigir entendimentos prévios com o orgulho, com a bobagem do só-digo-se-o-outro-disser, com a coragem de dissolver uma camada e outra dessas defesas que a gente cria ao longo do caminho e quando percebe mais parecem uma muralha. Essas coisas que, no fim das contas, só servem para nos afastar da vida. De nós mesmos. Do amor. Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá.

Ana Jácomo

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