19 de jun de 2011

Cartas para Jordan.

Germany, 1985


Querido Jordan.


Passaram-se seis meses...
Ultima carta; retalhos : (...) "E assim, parada olhando para I' Anunciacion que tentava vir ao me socorro, a frase dita pelo Padre, escoou pela igreja, atingindo meu coração e fazendo que minhas lágrimas corressem urgente de meus olhos...
" Por que sofres assim? Por que te permites viver na sombra da dúvida? Talvez sinta-se até só, ou então você permite se sentir mais longe para não sofrer tanto, mais esse sofrimento depende de você pra acabar... Corra atrás daquilo que só te faz bem...
' Regozijai-vos no Senhor justos em fé. Louvai-o todo dia com sua alegria. Porque é justo e soberano o nosso Deus. Tão cheio de carinho e de amor para com os seus.' "



Seis meses e você não me respondeu. Não sei o que te levou a parar de me escrever, não sei  qual motivo parou de confidenciar a sua vida comigo. Tive motivos também. Mas não foram os mesmos, aposto. É que a minha vida tem sido uma montanha russa; Ora eu tô tão agitada, subindo, cheia de atividades; ora eu tô devagar, anciosa querendo dar rumo á tudo. Minha faculdade, meu trabalho, minhas aulas de piano, tem ocupado meu tempo de forma devastadora, mas, isso não foi motivo para te esquecer, na verdade me fez lembrar mais ainda de você, Querido Jordan, me fez penar mais ainda, e voltar ao inicio da carta, seis meses sem que você me escreva. Não, não sei o motivo de sua ausência e não sei o motivo de tanta angustia. Mais eu sinto falta daquelas suas palavras de consolo e que confortavam em plena madrugada. Como eu digo: " Sua falta não me incomoda, só me afeta..." Tantas vezes corri esperançosa até o carteiro esperando por uma carta sua, e os dias foram se passando, as semanas, os meses. O carteiro então percebeu a minha angustia, e até mesmo quando eu não corria até ele, olhava pela janela em busca de um fio de esperança, ele sorria amarelo, sem jeito, trazendo apenas cobranças nos envelopes.
 Por falar em envelope sua tia Louyse me escreveu de Jardins de Giveny, sua'minha tia Louyse escreveu-me dizendo que sente muito a minha falta, pois fazem sete meses que não vou visita-la, ela descreve-me como ela está e entre uma linha e outra ela fala do você para mim, não coisas que eu já sei, coisas que eu tenho que saber sobre seu futuro, e que eu não vou contar mais a você. Ela também me perguntou se eu já tinha lido o livro, sabe que eu tinah esquecido do livro? Mas como eu não estava bem comigo mesma ainda, não fez diferença; ela apostava que eu ainda não tinha lido. Tia Louyse é sempre tão estranha e misteriosa com suas palavras, para finalisar a carta ela pediu-me para que eu fosse amanhã ao rio senna, teria uma correspondência a minha espera, será que são suas cartas? será que são presentes que não podiam ser entregues por correios e estão a minha espera lá? Bom, ela me deu o endereço do café onde eu deveria ficar esperando, e depois ela me disse com essa mesma palavras : "O que você faria com uma carta que mudasse tudo? Não tenha medo do futuro, até o amor tem suas reservas." É um tanto clichê, pois já li um romance assim com as mesmas palavras, tia louyse também tem suas graças! Não estou amedrontada, tava sem esperança para mais aventuras. E sem esperanças por receber cartas ainda suas.

Não sei o que andas fazendo pela vida, com quem e onde, não sei se sente minha falta ou se pelo menos você lembra de mim, é que ontem ouvi aquela nossa musica, que sempre ouvíamos e dançávamos no rock'in blues, e que um dia agente riu penalisados com os casais que separaram e ouviam essa musica, para nós não, aquela musica era apenas sinônimo de corpos juntos e tequila pela madrugada afora, não sei o que ela significa para você agora, mais para mim ela fez um efeito borboletas no estomago voltando de um funeral e chorei ouvindo, enquanto passava no toca-fitas do meu carro:

"Lay a whisper on my pillow, leave the winter on the ground, I wake up lonely, there's air of silence, in the bedroom and all around. Touch me now, I close my eyes Aand dream away;

It must have been love but it's over now. It must have been good but I lost it somehow,
It must have been love but it's over now. From the moment we touched til the time had run out."

E a música ecoou em minha mente pela madrugada afora, agora e sempre sem os corpos colados, apenas um corpo aquecido pela velha tequila e lágrimas quentes que escorrem pelo rosto. Não sinto mais aquela duvida do qual o Padre tratou de me dizer ocultamente na igreja, apenas sofro ainda, sofro de uma duvida que teima em me perseguir, uma duvida que só resta agora a mim e ao tempo dizer...

"Deixe um suspiro no meu travesseiro, deixe o inverno para trás. Acordei sozinha, tudo estava quieto em meu quarto, e em toda a parte. Toque-me agora, eu fecho meus olhos e fico sonhando...

Deve ter sido amor, mas agora acabou, Deve ter sido bom, mas de alguma forma eu o perdi.
Deve ter sido amor, mas agora acabou, Desde o momento que nos tocamos até nos separarmos."




P.s. Sinto uma falta absurda de você.


Sempre, e agora tão duvidosa, sua, Sophie! 

France, 12, September, 1985




Por Patrícia Britto/Tícia

2 comentários:

  1. Caramba paty, seu texto me tocou profundamente tão fortes as palavras que dizes. O mistérios das palavras de dia Tia Louise soa como um enigma a ser desvendado..
    Beijos&Fica com Deus *-*

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  2. - Que lindo suas palavras!!! Muito Obrigada!!!
    Verdade, sinceramente tia Louyse reserva muitos enigmas! Beijãao Vivi!!!

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